terça-feira, 20 de julho de 2010


Meu coração tem asas, minha razão anda a pé. (F.M.)

domingo, 11 de julho de 2010


Sinto a dor da despedida de alguém que no caminho se perdeu - foi roubado ou se deixou roubar - é cedo ainda pra dizer, ou melhor, cedo não é, mas não tenho condições de julgar a situação uma vez que ainda a vejo com olhos de quem perdeu, sendo assim, me julgo vitima e ainda luto para não culpar ninguém.
São tantas perdas de uma única vez, tantos lutos unidos e uma dor sem tamanho. São os sonhos, planos, desejos e a pessoa que se perde.
É preciso elaborar o luto de quem, vivo, morre tornando-o ainda mais difícil, pois vivo continua perto, ainda que distante, fazendo a dor ainda maior e o luto mais difícil.
Tenho me policiado pra parar de investigar fatos, detalhes que possam me levar às verdades do acontecido. Mas para que me servem? Em que esta verdade mudará o que aconteceu? A cada nova descoberta, me machuco ainda mais, cutuco a ferida que quase cicatriza e assim volta a doer - ainda que não haja tempestade.
Diante das minhas descobertas me pergunto: “Como você pode não enxergar tantas coisas que contradizem o dito”. Tenho provas cabais que, possivelmente, acabaria com toda a farça criada em torno de você. Mas no momento não me cabe desvendar teus mistérios, afinal, eles são teus.
Me dói te perder, me dói mais te perder sem lutar. Mas estou demasiadamente cansada de sofrer, tão machucada e fraca. Além de não ter armas – a não ser as minhas verdades – suficientes para lutar contra uma pessoa tão maquiavélica (alguém que procura se manter no poder, um alguém enganador, procura parecer bom mas nem sempre o é) e meticulosa (uma pessoa que faz as coisas com cautela e minuciosamente) quanto a que te tem nas mãos no momento. Eu sou apenas um fantasma que vai rondar pra sempre sua existência. E você é uma ferida em meu peito. Ah, como você me dói vez em quando. Me tira o ar, me tira a consciência.
Neste meu processo de elaboração de luto busco te esquecer, mas ainda não me sinto preparada. Leio e releio nossas conversas (estão todas gravadas), vejo nossa foto em meu mural e me preparo para arrancá-la deste. Mas o quero fazer no momento em que não houver mais sentido algum olhar pra você. Não desejo fazê-lo por mágoa, raiva ou tristeza que seja. Desejo fazê-lo no momento em que não houver mais sentido, pra mim, você estar ali, tão perto de mim, tão perto dos meus sonhos. Quando realmente sua presença, – ainda que por foto - não mais, me doer. Mas ainda não me sinto, suficientemente, pronta para arrancar-lhe da minha vida, do meu presente.Um dia você há de se tornar passado, apenas uma lembrança – ainda que dolorosa.
Por enquanto vou me levando, vou te levando comigo, choro, grito, esperneio. Tenho me escondido do mundo na tentativa de me esconder de mim, para me esconder de você. Uma hora reencontro meu caminho e o sigo sozinha, do meu jeito louco, inquieto, verdadeiro, luxuoso e por vezes sujo. Como diria alguém, que no memento não recordo: “Eu preciso te perder pra me encontrar”. E eu me encontrarei, mesmo que sem coração. Quem precisa de um? Melhor uma maquina no lugar.



Fernanda A. Celes

domingo, 4 de julho de 2010


Já se pegou vivendo a mesma situação, exatamente igual até nos detalhes, pela segunda vez na vida? Carpe diem? Não, não, escolhas erradas eu diria.

Mas quem é que escolhe pensando que vai errar? Melhor seria se na hora de fazermos a opção houvesse uma sinopse dos resultados.

Mais uma vez vivi um sonho, foi um castelo de areia habitado só por mim e mais ninguém. Tão estranho pensar-se segura e deparar-se desmoronando, ou melhor, desmoronada, atropelada, demolida. Pior é ver isto acontecer por conta de uma mentira tão tosca, tão banal, tão estampada e ao mesmo tempo não vista. Dias atrás ouvi na TV um breve comentário do diretor Fernando Meirelles a cerca da morte de José Saramago, e ele dizia: “hoje o mundo fica ainda mais cego e mais burro”, imediatamente me questionei até onde irá tamanha cegueira e burrice, pois se o mundo ficar ainda mais cego e mais burro do que já está estaremos perdidos. Algumas pessoas vem desafiando a inteligência de outras de uma forma tão grotesca e absurda. Histórias de pescador? Ledo engano! [...] milagre divino? te pergunto: você acredita em milagres? Fica por sua conta acreditar caro leitor, mas na minha humilde concepção é apenas mais um caso de falta de capacidade cognitiva (que quer dizer burrice) das pessoas envolvidas/afetadas.

E assim vejo, mais uma vez, meus sonhos serem decepados, meus planos roubados por uma mentira ridícula e absurda. A diferença desta vez é que estou me permitindo sentir toda a dor causada ao meu ser, me permito ser cortada, mas me mantenho fiel ao que sinto e acredito. Sinto-me como se houvessem roubado o chão existente sob meus pés e me vejo caindo, da nuvem cor de rosa em que vivia, em meio a toda dor e mágoa que me absorvem por agora. E assim, vai se fazendo mais uma cicatriz em meu coração, como diz Caio Fernando Abreu: “Menos pela cicatriz deixada, uma ferida antiga mede-se mais exatamente pela dor que provocou, e para sempre perdeu-se no momento em que cessou de doer, embora lateje louca nos dias de chuva". E eu sei que latejará, sei vai doer a ponto de me tirar a consciência, mas eu me aguento, eu me ergo, eu me levo... bem desse jeito, me empurrando aos trancos, me apoiando nos barrancos. Eu suporto toda a dor causada não por mim, mas em parte pelas escolhas que eu mesma fiz, consciente de todos os riscos. Assumo-me responsável pelo caminho que optei por seguir. Aguentar-me-ei com toda dor que as tempestades possam me causar, mas me manterei firme e fiel às minhas escolhas e sentimentos.

Estou continuando meu caminho tortuoso, torturante, cheio de luxos e lixos. Estou bebendo, dançando, ouvindo e cantando músicas bregas e depressivas, chorando, comendo, vomitando, ficando sem comer, comendo mais ainda. Um dia há de passar. Por enquanto coloco um band-aid no coração, um óculos escuro nos olhos para esconder as benditas olheiras, um sorriso no rosto e sigo em frente. Ou há algo melhor a ser feito?


O texto orinal colocaria minha vida pessoal demasiadamente exposta, o que por ventura poderia me causar aborrecimentos com os envolvidos nas mentiras, originalmente citadas, tão "bem" escondidas por seus mentirosos. Sendo assim, optei por expor apenas meus pensamentos e sentimentos a cerca dos fatos.




Um beijo e um queijo

Fernanda Almagro Celes (Fê)