Sinto a dor da despedida de alguém que no caminho se perdeu - foi roubado ou se deixou roubar - é cedo ainda pra dizer, ou melhor, cedo não é, mas não tenho condições de julgar a situação uma vez que ainda a vejo com olhos de quem perdeu, sendo assim, me julgo vitima e ainda luto para não culpar ninguém.
São tantas perdas de uma única vez, tantos lutos unidos e uma dor sem tamanho. São os sonhos, planos, desejos e a pessoa que se perde.
É preciso elaborar o luto de quem, vivo, morre tornando-o ainda mais difícil, pois vivo continua perto, ainda que distante, fazendo a dor ainda maior e o luto mais difícil.
Tenho me policiado pra parar de investigar fatos, detalhes que possam me levar às verdades do acontecido. Mas para que me servem? Em que esta verdade mudará o que aconteceu? A cada nova descoberta, me machuco ainda mais, cutuco a ferida que quase cicatriza e assim volta a doer - ainda que não haja tempestade.
Diante das minhas descobertas me pergunto: “Como você pode não enxergar tantas coisas que contradizem o dito”. Tenho provas cabais que, possivelmente, acabaria com toda a farça criada em torno de você. Mas no momento não me cabe desvendar teus mistérios, afinal, eles são teus.
Me dói te perder, me dói mais te perder sem lutar. Mas estou demasiadamente cansada de sofrer, tão machucada e fraca. Além de não ter armas – a não ser as minhas verdades – suficientes para lutar contra uma pessoa tão maquiavélica (alguém que procura se manter no poder, um alguém enganador, procura parecer bom mas nem sempre o é) e meticulosa (uma pessoa que faz as coisas com cautela e minuciosamente) quanto a que te tem nas mãos no momento. Eu sou apenas um fantasma que vai rondar pra sempre sua existência. E você é uma ferida em meu peito. Ah, como você me dói vez em quando. Me tira o ar, me tira a consciência.
Neste meu processo de elaboração de luto busco te esquecer, mas ainda não me sinto preparada. Leio e releio nossas conversas (estão todas gravadas), vejo nossa foto em meu mural e me preparo para arrancá-la deste. Mas o quero fazer no momento em que não houver mais sentido algum olhar pra você. Não desejo fazê-lo por mágoa, raiva ou tristeza que seja. Desejo fazê-lo no momento em que não houver mais sentido, pra mim, você estar ali, tão perto de mim, tão perto dos meus sonhos. Quando realmente sua presença, – ainda que por foto - não mais, me doer. Mas ainda não me sinto, suficientemente, pronta para arrancar-lhe da minha vida, do meu presente.Um dia você há de se tornar passado, apenas uma lembrança – ainda que dolorosa.
Por enquanto vou me levando, vou te levando comigo, choro, grito, esperneio. Tenho me escondido do mundo na tentativa de me esconder de mim, para me esconder de você. Uma hora reencontro meu caminho e o sigo sozinha, do meu jeito louco, inquieto, verdadeiro, luxuoso e por vezes sujo. Como diria alguém, que no memento não recordo: “Eu preciso te perder pra me encontrar”. E eu me encontrarei, mesmo que sem coração. Quem precisa de um? Melhor uma maquina no lugar.
Fernanda A. Celes
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