Já se pegou vivendo a mesma situação, exatamente igual até nos detalhes, pela segunda vez na vida? Carpe diem? Não, não, escolhas erradas eu diria.
Mas quem é que escolhe pensando que vai errar? Melhor seria se na hora de fazermos a opção houvesse uma sinopse dos resultados.
Mais uma vez vivi um sonho, foi um castelo de areia habitado só por mim e mais ninguém. Tão estranho pensar-se segura e deparar-se desmoronando, ou melhor, desmoronada, atropelada, demolida. Pior é ver isto acontecer por conta de uma mentira tão tosca, tão banal, tão estampada e ao mesmo tempo não vista. Dias atrás ouvi na TV um breve comentário do diretor Fernando Meirelles a cerca da morte de José Saramago, e ele dizia: “hoje o mundo fica ainda mais cego e mais burro”, imediatamente me questionei até onde irá tamanha cegueira e burrice, pois se o mundo ficar ainda mais cego e mais burro do que já está estaremos perdidos. Algumas pessoas vem desafiando a inteligência de outras de uma forma tão grotesca e absurda. Histórias de pescador? Ledo engano! [...] milagre divino? te pergunto: você acredita em milagres? Fica por sua conta acreditar caro leitor, mas na minha humilde concepção é apenas mais um caso de falta de capacidade cognitiva (que quer dizer burrice) das pessoas envolvidas/afetadas.
E assim vejo, mais uma vez, meus sonhos serem decepados, meus planos roubados por uma mentira ridícula e absurda. A diferença desta vez é que estou me permitindo sentir toda a dor causada ao meu ser, me permito ser cortada, mas me mantenho fiel ao que sinto e acredito. Sinto-me como se houvessem roubado o chão existente sob meus pés e me vejo caindo, da nuvem cor de rosa em que vivia, em meio a toda dor e mágoa que me absorvem por agora. E assim, vai se fazendo mais uma cicatriz em meu coração, como diz Caio Fernando Abreu: “Menos pela cicatriz deixada, uma ferida antiga mede-se mais exatamente pela dor que provocou, e para sempre perdeu-se no momento em que cessou de doer, embora lateje louca nos dias de chuva". E eu sei que latejará, sei vai doer a ponto de me tirar a consciência, mas eu me aguento, eu me ergo, eu me levo... bem desse jeito, me empurrando aos trancos, me apoiando nos barrancos. Eu suporto toda a dor causada não por mim, mas em parte pelas escolhas que eu mesma fiz, consciente de todos os riscos. Assumo-me responsável pelo caminho que optei por seguir. Aguentar-me-ei com toda dor que as tempestades possam me causar, mas me manterei firme e fiel às minhas escolhas e sentimentos.
Estou continuando meu caminho tortuoso, torturante, cheio de luxos e lixos. Estou bebendo, dançando, ouvindo e cantando músicas bregas e depressivas, chorando, comendo, vomitando, ficando sem comer, comendo mais ainda. Um dia há de passar. Por enquanto coloco um band-aid no coração, um óculos escuro nos olhos para esconder as benditas olheiras, um sorriso no rosto e sigo
Fernanda Almagro Celes (Fê)
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